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    Início » Inflação de junho fica em 0,16% e alívio vem da queda nos alimentos
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    Inflação de junho fica em 0,16% e alívio vem da queda nos alimentos

    Elise MontclairPor Elise Montclairjulho 27, 202605 Mins de leitura
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    Resultado do IPCA veio abaixo do esperado pelo mercado, mas reajustes na conta de luz seguem pressionando o bolso do consumidor em algumas regiões

    Um resultado abaixo do esperado

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou junho com alta de 0,16%, segundo divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou 0,42 ponto percentual abaixo do registrado em maio, quando o índice havia avançado 0,58%, e também surpreendeu para baixo em relação às projeções do mercado financeiro, que esperava uma variação mais próxima de 0,30%. Para o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves, a queda nos preços de alimentos e combustíveis foi determinante para conter a pressão que ainda vem do setor de energia elétrica sobre o bolso do consumidor brasileiro.

    Segundo Gonçalves, a redução no grupo Alimentação e bebidas pode refletir uma combinação de fatores: o alívio vindo dos combustíveis, que já vinham em trajetória de queda e ajudam a reduzir custos ao longo da cadeia produtiva, uma possível devolução de altas registradas em meses anteriores e, principalmente, uma oferta maior de alguns itens, como o café, beneficiado pela expectativa de uma safra melhor neste ano. A proporção de itens pesquisados que registraram aumento de preço também recuou, passando de 65% em maio para 54% em junho, sinal de que a pressão inflacionária ficou mais concentrada em grupos específicos.

    Alimentação puxa o índice para baixo

    O grupo Alimentação e bebidas, que responde por 21,75% do peso total do IPCA, foi o único a apresentar variação negativa no mês, com queda de 0,24%, e teve o maior impacto para baixo no índice geral, de 0,05 ponto percentual. Segundo o IBGE, esse foi o menor resultado para meses de junho desde 2023, o que reforça a percepção de um alívio mais consistente na cesta básica dos brasileiros, mesmo diante de um comportamento heterogêneo entre os diferentes alimentos pesquisados.

    Dentro da alimentação no domicílio, que recuou 0,39% no mês, alguns itens seguiram na contramão da queda geral, como o feijão-carioca, com alta de 8,31%, e a batata-inglesa, que subiu 3,57%. Já entre os produtos que mais contribuíram para o alívio no bolso do consumidor estão o café moído, com queda de 3,72%, as frutas, com recuo de 1,58%, e as carnes, que caíram 0,64% no período. A alimentação fora do domicílio também desacelerou, passando de uma alta de 0,49% em maio para 0,15% em junho, o que sugere que o alívio não ficou restrito apenas às compras feitas em casa.

    Energia elétrica segue como ponto de atenção

    Apesar do resultado geral mais favorável, o grupo Habitação apresentou a maior alta entre os grandes grupos pesquisados, de 0,63%, e também o maior impacto positivo sobre o índice, de 0,10 ponto percentual, puxado principalmente pelo comportamento da energia elétrica residencial. O item desacelerou de 3,67% em maio para 1,53% em junho, mas ainda assim seguiu como o principal impacto individual isolado sobre o resultado do mês, de 0,06 ponto percentual, refletindo a manutenção da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos na conta de luz das famílias.

    O comportamento da energia elétrica variou bastante entre as regiões pesquisadas pelo IBGE. O Rio de Janeiro registrou a maior alta individual do país, de 5,61%, puxada pela retomada de um reajuste tarifário de 15,10% autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em uma das concessionárias que atuam no estado. Esse tipo de variação regional ajuda a explicar por que o impacto da inflação no bolso do consumidor pode ser bem diferente dependendo de onde a pessoa mora, mesmo quando o resultado nacional do IPCA aparece relativamente contido.

    O que esperar para os próximos meses

    Outro item que chamou atenção no resultado de junho foi o setor de saúde e cuidados pessoais, que subiu 0,23% no mês, impulsionado principalmente pelos planos de saúde contratados após a Lei nº 9.656, de 1998. Esses contratos passaram a incorporar, a partir de maio, o reajuste de 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que ajuda a explicar por que o item plano de saúde segue entre os que mais pesam no orçamento das famílias brasileiras, mesmo em meses de inflação geral mais comportada.

    Para julho, a mediana das expectativas de mercado aponta uma nova variação do IPCA em torno de 0,30%, patamar que já reflete a expectativa de alguma reaceleração nos preços, especialmente vinda dos grupos Habitação, por conta de reajustes em condomínios e na própria energia elétrica residencial, e Transportes, influenciado pelo comportamento das passagens aéreas. Ainda assim, a manutenção da bandeira tarifária amarela em julho e o adiamento do pagamento do bônus de Itaipu para agosto devem seguir trazendo algum alívio pontual para a conta de luz das famílias no curto prazo.

    Analistas do mercado financeiro consultados por veículos econômicos avaliam que o resultado de junho melhora o balanço inflacionário de curto prazo, mas reforçam que a convergência da inflação para a meta perseguida pelo Banco Central ainda exige moderação adicional ao longo do segundo semestre, especialmente nos preços de serviços intensivos em mão de obra. Para o consumidor, a expectativa é que o alívio observado em junho, puxado principalmente pela queda dos alimentos, ajude a aliviar o orçamento doméstico nos próximos meses, ainda que de forma desigual entre as regiões do país e a depender do comportamento da conta de luz em cada estado.

    Fontes consultadas:
    https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/47534-ipca-fica-em-0-16-em-junho
    https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/ipca-alimentos-e-combustiveis-contem-pressao-de-energia-eletrica-diz-ibge/
    https://www.infomoney.com.br/economia/ipca-inflacao-junho-2026-dados-ibge/
    https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/economia/ipca-alimentos-e-combustiveis-ajudam-a-conter-pressao-da-energia-eletrica-diz-gerente-do-ibge/

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