O Brasil registrou, em 2025, a maior proporção de empreendedores com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) desde o início da série histórica acompanhada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda assim, o registro alcançava apenas 35% das pessoas classificadas como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria.
O dado representa 10,7 milhões de empreendedores com CNPJ em um universo de 30,6 milhões de pessoas. Na outra ponta, quase 20 milhões atuavam sem registro empresarial, o equivalente a 65% do total. As informações foram divulgadas pelo IBGE em 23 de setembro de 2026, em uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
Número de empreendedores com CNPJ chega ao maior nível da série
O levantamento considera como empreendedores os empregadores e os trabalhadores por conta própria. A proporção de pessoas com CNPJ entre esses grupos chegou ao maior patamar da série histórica em 2025, mas o resultado também evidencia que a formalização empresarial ainda não alcança a maioria dos trabalhadores nessa condição.
Ter um CNPJ significa estar registrado como pessoa jurídica perante a administração tributária. Esse registro diferencia a formalização empresarial da simples condição de trabalhar por conta própria: uma pessoa pode exercer uma atividade econômica de forma independente e, mesmo assim, não possuir cadastro empresarial.
Segundo a Agência Brasil, os dados fazem parte de uma publicação do IBGE dedicada às características do trabalho por conta própria e do empreendedorismo no país. O recorte permite observar a distância entre o número total de empreendedores e a parcela que conta com registro empresarial.
Quase 20 milhões ainda trabalham sem registro empresarial
Embora o índice de formalização tenha alcançado o maior nível da série, a quantidade de empreendedores sem CNPJ continua expressiva. São aproximadamente dois em cada três trabalhadores por conta própria ou empregadores, conforme os números apresentados pelo levantamento.
O resultado mostra que o empreendedorismo brasileiro reúne realidades distintas. De um lado, há pessoas que mantêm uma empresa formalizada; de outro, trabalhadores que desenvolvem atividades econômicas sem constituir uma pessoa jurídica. Essa diferença é relevante para compreender as características do mercado de trabalho e os limites da formalização no país.
O CNPJ também é utilizado na identificação de empresas em relações comerciais e administrativas. A existência do registro pode estar relacionada a exigências para emissão de notas fiscais, contratação com outras empresas e acesso a determinadas modalidades de crédito ou políticas públicas. No entanto, a pesquisa do IBGE apresenta a proporção de empreendedores com e sem CNPJ, sem detalhar, nesse recorte, os efeitos individuais da ausência do registro.
Mercado de trabalho encerrou 2025 com 103 milhões de ocupados
Os dados sobre empreendedores foram divulgados em um cenário de expansão do mercado de trabalho brasileiro. De acordo com a retrospectiva anual da PNAD Contínua, o país terminou 2025 com 103 milhões de pessoas ocupadas. A taxa anual de informalidade ficou em 38,1%.
No mesmo período, o rendimento real habitual alcançou R$ 3.560. A taxa anual de desocupação foi de 5,6%, enquanto a taxa de subutilização ficou em 14,5%, segundo dados divulgados pelo IBGE.
O conjunto desses indicadores ajuda a contextualizar o resultado sobre o CNPJ. Mesmo com mais pessoas ocupadas e com a maior proporção histórica de empreendedores formalizados, a informalidade permanece presente em uma parcela significativa do trabalho no Brasil.
O que os dados revelam sobre a formalização no Brasil
A principal conclusão do levantamento é que o avanço da formalização empresarial ocorreu ao lado da permanência de um grande contingente de trabalhadores sem registro. O recorde de 35% não significa que a maioria dos empreendedores tenha CNPJ, mas que essa foi a maior participação observada desde o início da série histórica.
Para trabalhadores autônomos, empregadores e profissionais que atuam por conta própria, a distinção entre possuir ou não um CNPJ pode influenciar a forma como a atividade é organizada e se relaciona com clientes, fornecedores e instituições. A pesquisa, porém, não estabelece uma relação automática entre o registro e o desempenho de cada negócio.
Os números da PNAD Contínua indicam, portanto, que a formalização avançou, mas ainda representa uma realidade minoritária entre os empreendedores brasileiros. A existência de quase 20 milhões de pessoas sem CNPJ mantém o tema no centro das discussões sobre trabalho, renda e atividade empresarial no país.
As informações integram a retrospectiva 2012-2025 da PNAD Contínua, elaborada pelo IBGE.

