Matheus Vinicius Voigt, como profissional da área de engenharia elétrica e gestão de projetos, levanta uma questão que pode comprometer o andamento de grandes obras antes mesmo do início da execução, referente à falta de comunicação entre os projetos, resultando em conflitos no canteiro. Quando tubulações, eletrocalhas e equipamentos são previstos para ocupar áreas sobrepostas, ajustes de última hora podem resultar em custos elevados e atrasos nas etapas do projeto. Nesse contexto, o BIM (Building Information Modeling) se destaca por sua capacidade de integrar informações e antecipar incompatibilidades ainda na fase de planejamento.
A representação tridimensional não é o único aspecto relevante da BIM. A metodologia em questão associa elementos do modelo a dados técnicos, quantitativos, especificações e responsabilidades. Em uma obra elétrica, tal procedimento estabelece uma base comum para a comparação de alternativas, a revisão de interferências e a relação do projeto com o planejamento.
O benefício emerge quando o modelo participa das decisões. Se o uso for limitado à produção de imagens, a execução permanecerá praticamente inalterada. Ao integrar disciplinas, cronograma, orçamento e informações de ativos, torna-se um instrumento de coordenação que reduz incertezas antes da contratação e da montagem.
O primeiro passo é definir a informação necessária
Um projeto BIM não se inicia com a modelagem. A equipe deve estabelecer objetivos, níveis de informação, padrões de nomenclatura, formatos de troca e responsáveis pelas revisões. Na ausência do presente acordo, cada disciplina terá a possibilidade de criar arquivos visualmente detalhados, porém incompatíveis entre si.
Em obras elétricas, o escopo deve indicar com precisão quais elementos serão modelados e quais dados acompanharão cada um. É imprescindível que sejam fornecidas informações específicas sobre cabos, quadros, transformadores, eletrocalhas, luminárias e sistemas de proteção. O nível de detalhe deve estar alinhado com a decisão, não com o aumento do tamanho do arquivo.
Esta definição inicial, na percepção de Matheus Vinicius Voigt, evita um equívoco comum: iniciar a utilização da ferramenta sem uma compreensão clara do problema a ser resolvido. O planejamento deve indicar se o objetivo principal é coordenar disciplinas, extrair quantitativos, apoiar a construção, preparar a operação ou combinar essas funções em etapas sucessivas.

A modelagem transforma choque em decisão
Após a estruturação dos modelos, a coordenação reúne arquitetura, estrutura, instalações elétricas, hidráulicas e demais disciplinas relevantes. A verificação busca identificar conflitos físicos, espaços insuficientes, acessos bloqueados e trajetos que não respeitam requisitos de manutenção ou segurança.
O chamado clash detection não substitui a análise de engenharia. Ele indica a existência de relações que devem ser revistas; contudo, a equipe ainda deve avaliar prioridade, tolerância, sequência executiva e solução técnica. Um cruzamento identificado pode exigir mudança de rota, alteração de altura ou ajuste no dimensionamento.
A discussão sobre o conflito no ambiente digital tende a ser menos onerosa em comparação à sua correção. No canteiro, uma mudança pode envolver demolição, retrabalho e atraso. A coordenação antecipada desloca o esforço para uma fase em que as alternativas ainda estão abertas.
BIM conecta planejamento, execução e operação
A modelagem deve ser vinculada ao planejamento da obra, a fim de demonstrar quando cada elemento será instalado. Ademais, de acordo com Matheus Vinicius Voigt, tal conexão auxilia na visualização de sequências, dependências e áreas liberadas. Em empreendimentos elétricos, esse recurso facilita a coordenação entre escavações, bases, cabos, montagem e testes.
Os quantitativos extraídos do modelo são fundamentais para o apoio a estimativas e compras, desde que os objetos estejam classificados corretamente. A apresentação de um dado incoerente pode criar uma impressão de precisão aparente. Portanto, a revisão, a rastreabilidade e o registro das alterações são essenciais para assegurar que o modelo esteja alinhado à execução.
É imprescindível que essa atualização seja realizada até a entrega do ativo. Os equipamentos elétricos podem conter identificadores, manuais, garantias e históricos de intervenções. Cabe ressaltar que Matheus Vinicius Voigt destaca que o valor do BIM aumenta quando o modelo deixa de ser congelado na fase de projeto e acompanha as transformações do empreendimento.
Para tanto, são necessários treinamento, governança e responsabilidades claramente definidas. Com o modelo atualizado, a equipe localiza equipamentos, verifica acessos e consulta relações com outros sistemas antes de uma intervenção. Dessa forma, o BIM passa a contribuir com o apoio às decisões, desde o planejamento até a operação.

