Conforme relata Paulo de Matos Junior, empresário do segmento financeiro, mais especificamente nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos, desde que o prazo de 270 dias para adequação começou a correr, em fevereiro de 2026, o Banco Central passou a receber pedidos de autorização de perfis bastante distintos de empresas interessadas em atuar como PSAV. Com esse panorama, bancos tradicionais, corretoras nativas do universo cripto e fintechs recém-chegadas ao segmento disputam espaço sob as mesmas regras, cada um partindo de um ponto de largada diferente.
Bancos tradicionais que ampliam a oferta
Instituições financeiras já consolidadas no sistema bancário brasileiro representam um dos perfis que mais chamam atenção nesse processo. Para esses bancos, a regulação funciona como um convite formal para incorporar criptoativos ao portfólio de produtos já oferecido a clientes de varejo e corporativos, algo que muitos evitavam justamente pela ausência de um marco regulatório claro.
A vantagem competitiva desses bancos está na estrutura de compliance e governança já existente, construída ao longo de décadas de operação sob supervisão do Banco Central. Adaptar essa estrutura para incluir ativos digitais tende a ser um processo mais rápido do que para empresas que precisam montar toda a governança do zero. Ainda assim, esses bancos enfrentam o desafio de desenvolver conhecimento técnico específico sobre custódia de criptoativos, uma competência que historicamente não fazia parte de sua operação.
Corretoras nativas de criptoativos
No outro extremo estão as corretoras que nasceram dentro do próprio universo cripto, muitas delas fundadas ainda no período anterior à regulamentação. Essas empresas dominam a operação técnica do setor, mas frequentemente precisam investir pesado em estruturas de governança e compliance que antes não eram exigidas por lei.
Paulo de Matos Junior observa que esse grupo tende a enfrentar o maior desafio de adaptação, já que precisa conciliar a agilidade típica de uma empresa nativa digital com as exigências burocráticas de uma instituição financeira regulada. Ainda assim, o conhecimento técnico acumulado por essas corretoras costuma ser um diferencial relevante no processo de autorização.

Fintechs que migram para o setor
Um terceiro perfil reúne fintechs que já operavam sob supervisão do Banco Central em outras frentes, como pagamentos ou crédito, e decidiram expandir a atuação para incluir serviços com criptoativos. Familiaridade com processos regulatórios, somada à agilidade típica de empresas nativas de tecnologia, é o que diferencia esse grupo, que combina parte da vantagem dos bancos tradicionais com parte da rapidez das corretoras especializadas.
A decisão também reflete uma leitura estratégica do mercado: para muitas fintechs, adicionar criptoativos ao portfólio é uma forma de reter clientes que, de outra maneira, migrariam para corretoras especializadas em busca desse tipo de serviço. Há ainda um componente de diversificação de receita, explica Paulo de Matos Junior, já que a intermediação de criptoativos abre uma nova frente de tarifas e serviços dentro de um modelo de negócio que antes dependia quase exclusivamente de produtos financeiros tradicionais.
Por que a diversidade de perfis fortalece o mercado?
A convivência entre esses três perfis dentro de um mesmo marco regulatório tende a beneficiar o mercado como um todo. Bancos trazem escala e confiança institucional, corretoras nativas trazem profundidade técnica, e fintechs trazem agilidade na experiência do usuário, cada elemento contribuindo para um ecossistema mais robusto do que o observado em qualquer um dos grupos isoladamente.
Para Paulo de Matos Junior, essa pluralidade de origens tende a acelerar a maturidade do setor de criptoativos no Brasil, na medida em que aumenta a concorrência por qualidade de serviço em vez de concorrência apenas por ausência de regras. O resultado esperado é um mercado mais competitivo e, ao mesmo tempo, mais seguro para quem decide investir ou utilizar esses serviços no dia a dia.

