Assim como analisa o empresário Alfredo Moreira Filho, cuja família se fundamenta em valores éticos e morais, a empatia é uma base para outros princípios, como respeito e honestidade, e por isso precisa ser cultivada desde cedo no ambiente familiar. Colocar-se no lugar do outro é uma das habilidades mais valorizadas nas relações pessoais e profissionais, mas nem sempre recebe a mesma atenção que o desempenho escolar na educação dos filhos.
A psicologia do desenvolvimento estudou a fundo como essa capacidade surge e o que a fortalece ou enfraquece ao longo da vida. Os resultados mostram que a empatia tem raízes precoces, mas depende muito do ambiente para se desenvolver. Confira, a seguir, o que as pesquisas revelam e como aplicar esse conhecimento no dia a dia.
Uma capacidade que surge muito cedo
Experimentos conduzidos pelos pesquisadores Felix Warneken e Michael Tomasello, do Instituto Max Planck, na Alemanha, mostraram que crianças de cerca de um ano e meio já ajudam adultos de forma espontânea. Quando um pesquisador deixava cair um objeto e não conseguia alcançá-lo, muitas crianças pegavam o item e o devolviam sem que ninguém pedisse e sem esperar recompensa.
Esses resultados indicam que a tendência a ajudar e a perceber a necessidade do outro aparece antes mesmo de a criança dominar a linguagem. Isso não significa, porém, que ela se desenvolva sozinha. Segundo Alfredo Moreira, a predisposição natural funciona como uma semente, que precisa de exemplo, conversa e oportunidades práticas para crescer.
O que os jovens percebem como prioridade dos pais?
Um levantamento do projeto Making Caring Common, da Escola de Educação da Universidade Harvard, ouviu milhares de estudantes norte-americanos do ensino fundamental e médio. Cerca de 80% deles apontaram o bom desempenho ou a própria felicidade como prioridade principal, à frente da preocupação com os outros.
O dado mais revelador, no entanto, foi outro: muitos estudantes acreditavam que seus pais valorizavam mais as conquistas acadêmicas do que a gentileza e o cuidado com as pessoas. Os pesquisadores observaram que essa percepção pode influenciar diretamente as escolhas dos jovens. Na análise de Alfredo Moreira Filho, o estudo mostra que as crianças captam não apenas o que os pais dizem, mas aquilo que eles celebram e cobram no cotidiano.

Sinais de alerta e o peso do ambiente
Outra linha de pesquisa chamou atenção para mudanças ao longo do tempo. A psicóloga Sara Konrath, da Universidade de Michigan, analisou dezenas de estudos com universitários norte-americanos e identificou uma queda significativa nos indicadores de empatia ao longo de três décadas. Entre as hipóteses levantadas estão a redução do contato presencial e o aumento da competição.
Embora os resultados se refiram a outro país e não possam ser transferidos automaticamente para a realidade brasileira, eles reforçam um ponto importante: a empatia é sensível ao contexto em que a pessoa vive. Ambientes que valorizam a cooperação tendem a fortalecê-la, enquanto rotinas marcadas pelo isolamento e pela comparação constante podem enfraquecê-la. Para Alfredo Moreira, a família é o primeiro desses ambientes e, por isso, tem papel decisivo.
Práticas que fortalecem a empatia em família
Algumas atitudes simples ajudam a desenvolver essa habilidade. Nomear sentimentos é uma delas: perguntar à criança como acha que um colega se sentiu em determinada situação estimula a capacidade de enxergar o ponto de vista do outro. Comentar histórias de livros e filmes com essa mesma pergunta também amplia o repertório emocional.
Oferecer oportunidades reais de ajudar, como participar de tarefas que beneficiam toda a família ou colaborar com alguém que precisa, transforma o conceito em prática. E, como em qualquer valor, o exemplo dos adultos pesa mais do que o discurso: a forma como os pais tratam funcionários, vizinhos e desconhecidos é observada de perto. Alfredo Moreira Filho sinaliza que famílias que celebram a gentileza tanto quanto as conquistas ajudam a formar pessoas mais preparadas para conviver e liderar.

