O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou uma técnica que permite tratar a catarata e o glaucoma primário de ângulo aberto em uma única intervenção. A medida foi oficializada por meio de publicação no Diário Oficial da União em 17 de setembro de 2026 e divulgada pelo Ministério da Saúde em 21 de setembro.
A cirurgia combinada é destinada a pacientes que têm indicação para remover a catarata e também apresentam glaucoma leve ou moderado, desde que a doença esteja controlada com o uso de colírios. A incorporação amplia as alternativas disponíveis na rede pública para reduzir a pressão dentro do olho e preservar a visão.
Como funciona a cirurgia combinada
A catarata ocorre quando o cristalino, estrutura transparente responsável por ajudar na formação das imagens, fica opacificado. O tratamento cirúrgico consiste na remoção desse cristalino comprometido. Já o glaucoma está relacionado ao aumento ou à dificuldade de controle da pressão intraocular, fator que pode provocar danos progressivos ao nervo óptico.
Na nova abordagem, a cirurgia de catarata é realizada junto com uma intervenção para melhorar a drenagem do líquido dentro do olho. O objetivo é diminuir a pressão intraocular e auxiliar no controle do glaucoma. De acordo com o Ministério da Saúde, a técnica é menos invasiva do que alternativas utilizadas atualmente e pode contribuir para uma recuperação mais rápida e menor risco de complicações.
A incorporação contempla duas possibilidades técnicas: a goniotomia excisional e a trabeculotomia transluminal. Os procedimentos atuam na via de drenagem do olho e são aplicados durante a cirurgia de catarata, evitando que o paciente precise passar por intervenções separadas para tratar as duas condições.
Quem poderá realizar o procedimento pelo SUS
A cirurgia de catarata e glaucoma pelo SUS não será indicada automaticamente a todas as pessoas com essas doenças. Conforme as informações divulgadas pela pasta, o público elegível reúne pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto leve ou moderado, com a pressão controlada por colírios e que também tenham indicação clínica para a cirurgia de catarata.
A avaliação deve ser feita por profissionais de oftalmologia, que analisarão o estágio do glaucoma, as condições do olho e a necessidade de remoção do cristalino opacificado. A decisão sobre o tratamento depende do quadro individual e da indicação médica. A incorporação da tecnologia, portanto, não significa que qualquer paciente poderá solicitar o procedimento sem passar pela avaliação da rede de saúde.
O Ministério da Saúde também informou que a nova abordagem deverá ser incluída no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do glaucoma. Esse documento orienta o diagnóstico, o acompanhamento e o tratamento da doença no SUS, com critérios para a utilização dos recursos disponíveis na rede pública.
Impacto esperado no controle da doença
O glaucoma costuma evoluir de forma silenciosa e pode causar perda progressiva da visão quando não é acompanhado e tratado adequadamente. Como os danos ao nervo óptico podem avançar sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais, o diagnóstico e o monitoramento regular são importantes para reduzir o risco de comprometimento visual.
Ao combinar os dois procedimentos, a estratégia pode simplificar o tratamento de pacientes que precisam operar a catarata e controlar o glaucoma. A realização de uma única intervenção também pode reduzir a necessidade de cirurgias separadas, embora a indicação e os resultados dependam das características clínicas de cada caso.
A medida ainda tem impacto previsto sobre os custos da saúde pública. Segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde com base em avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), a adoção da goniotomia excisional pode gerar economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano e de R$ 93,2 milhões no quinto ano.
A estimativa considera a substituição da cirurgia com iStent pela nova técnica. No período analisado, a economia acumulada projetada chega a R$ 276 milhões. Os valores fazem parte da avaliação utilizada para embasar a incorporação da tecnologia ao SUS.
O que muda para os pacientes
A decisão federal estabelece a inclusão da cirurgia combinada entre os tratamentos disponíveis no sistema público, mas o atendimento depende da indicação clínica e da organização dos serviços de saúde habilitados. A medida não equivale à liberação indiscriminada do procedimento para todos os casos de catarata ou glaucoma.
Pacientes que apresentam alterações na visão, diagnóstico de glaucoma ou catarata devem buscar acompanhamento na rede de saúde. A avaliação oftalmológica é necessária para identificar a doença, definir sua gravidade e verificar se a cirurgia combinada é apropriada. As orientações sobre encaminhamento e realização do procedimento devem ser fornecidas pelos serviços do SUS responsáveis pelo atendimento.
As informações técnicas sobre a incorporação também estão disponíveis no relatório da Conitec para a sociedade e no relatório preliminar sobre a cirurgia antiglaucomatosa por via angular.

