Parajara Moraes Alves Junior, CEO da Junior Contabilidade & Assessoria Rural, de Camapuã-MS, com mais de 30 anos de tradição, explica que, no agronegócio, a gestão de empresas familiares apresenta desafios únicos, em que as relações pessoais e profissionais se entrelaçam. Para garantir a longevidade e a harmonia do negócio rural, a implementação de estruturas de governança familiar é essencial.
Entre as ferramentas mais importantes, destacam-se o protocolo familiar e o estatuto social, cada um com suas particularidades e funções. Este artigo explora a distinção entre protocolo familiar e estatuto social, oferecendo um guia prático para você. Ao final da leitura, você terá clareza sobre como fortalecer a gestão de sua propriedade. Pronto para profissionalizar a governança de sua família e negócio?
O que é governança familiar e como ela pode transformar o agronegócio?
De acordo com Parajara Moraes Alves Junior, a governança familiar é um sistema de princípios, regras e processos que orientam a relação entre a família, a propriedade e a gestão do negócio rural. Seu objetivo principal é garantir a longevidade da empresa familiar, promover a harmonia entre os membros da família e profissionalizar a gestão, separando as questões pessoais das questões empresariais.
No agronegócio, em que a família e o negócio estão frequentemente interligados, a governança é vital para evitar conflitos, planejar a sucessão e assegurar a continuidade da atividade. Sem uma estrutura de governança clara, as decisões podem ser tomadas com base em emoções, gerando disputas e comprometendo o futuro da propriedade.
A base jurídica da empresa rural
Como comenta o consultor em planejamento tributário, sucessório e patrimonial rural, Parajara Moraes Alves Junior, o estatuto social, ou contrato social para sociedades limitadas, é o documento que regula o funcionamento da empresa rural. Ele é registrado em cartório e tem força de lei entre os sócios, definindo as regras jurídicas e administrativas da pessoa jurídica. Enquanto o protocolo familiar aborda questões éticas e amplas, o estatuto social concentra-se nos aspectos legais e operacionais, sendo essencial para a segurança jurídica do negócio.

As principais questões tratadas em um estatuto social incluem o objeto social, que define as atividades que a empresa irá exercer, e o capital social, que estabelece o valor do capital e a participação de cada sócio. Essas diretrizes são fundamentais para garantir a boa governança e a continuidade da empresa no agronegócio.
Como integrar protocolo familiar e estatuto social para uma governança eficaz?
Para uma governança familiar eficaz no agronegócio, a integração entre o protocolo familiar e o estatuto social é fundamental. Embora sejam documentos distintos, eles devem ser complementares e trabalhar em conjunto para garantir a harmonia familiar e a solidez do negócio. O protocolo familiar serve como um guia para a elaboração e a revisão do estatuto social, garantindo que as regras legais reflitam os valores e os acordos da família. Essa integração permite que as questões mais sensíveis e subjetivas sejam tratadas no protocolo, enquanto as regras de caráter legal e operacional são formalizadas no estatuto.
Por exemplo, o protocolo pode estabelecer os princípios para a escolha do sucessor, enquanto o estatuto define os procedimentos legais para a transferência das quotas da holding familiar rural. A assessoria de profissionais especializados em direito de família e empresarial, juntamente com um contador especialista em agronegócio, é crucial para essa integração. Parajara Moraes Alves Junior enfatiza que a sinergia entre esses documentos é a chave para uma proteção patrimonial completa e uma sucessão no agro bem-sucedida.
A governança familiar como estratégia de perenidade no agronegócio
Parajara Moraes Alves Junior, contador especialista em agronegócio, resume que a governança familiar, por meio da integração entre o protocolo familiar e o estatuto social, é uma estratégia indispensável para o produtor rural que busca a perenidade de seu negócio e a harmonia familiar.
Compreender a função de cada documento e como eles se complementam permite construir uma estrutura sólida, capaz de enfrentar os desafios do agronegócio e garantir a sucessão de forma tranquila e eficiente. Investir em governança familiar é construir um legado de sucesso e prosperidade para as próximas gerações, protegendo o patrimônio e assegurando a continuidade da atividade rural no Brasil.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

