A trajetória das mulheres na política brasileira é marcada por desafios significativos, incluindo a misoginia e a resistência a mudanças. Apesar dos avanços, as mulheres ainda enfrentam um ambiente hostil, onde falas misóginas e tentativas de silenciamento são comuns. O recente debate sobre a presença feminina nas esferas de poder destaca a necessidade de ações afirmativas e a importância de um espaço seguro para a atuação política das mulheres.
Historicamente, as mulheres têm lutado por seus direitos e por uma maior participação na política. Desde a primeira Assembleia Nacional Constituinte, em 1890, até os dias atuais, as vozes femininas têm sido frequentemente silenciadas ou deslegitimadas. A frase proferida por um deputado em 2023, que reflete uma mentalidade de submissão, é um exemplo claro de como a misoginia ainda permeia as discussões políticas. Essa continuidade de atitudes revela que, apesar do tempo, as mulheres ainda precisam lutar contra preconceitos arraigados.
A presença de mulheres em cargos de liderança é crucial para a promoção de políticas públicas que atendam às suas necessidades. A cota de 30% para candidaturas femininas, embora tenha contribuído para o aumento da representação feminina nas câmaras municipais e no Congresso, ainda é insuficiente para garantir um cenário justo. A deputada Maria do Rosário destaca que, mesmo com essa cota, a luta pela igualdade de gênero na política continua, e é necessário que as mulheres em posições de poder estejam comprometidas com a defesa dos direitos femininos.
Além das barreiras institucionais, as mulheres também enfrentam desafios pessoais e sociais que dificultam sua ascensão na política. A pressão para equilibrar a vida profissional e familiar é uma realidade que muitas mulheres enfrentam, e isso pode impactar suas oportunidades de liderança. A pesquisa mostra que, frequentemente, as mulheres são cobradas de maneira mais rigorosa do que os homens, o que pode levar à desistência de candidaturas e à falta de representatividade.
A resistência à misoginia não se limita apenas ao campo político, mas também se estende ao Judiciário. A luta por paridade de gênero nas instituições judiciais é um reflexo da necessidade de um sistema mais inclusivo e representativo. A Resolução nº 525/2023, aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça, é um passo positivo em direção à ampliação da participação feminina nos tribunais, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
A importância de uma representação diversificada na política é inegável. Mulheres de diferentes origens, etnias e classes sociais trazem perspectivas únicas que podem enriquecer o debate político e promover mudanças significativas. No entanto, a simples presença de mulheres não é suficiente; é fundamental que elas estejam alinhadas com a defesa dos direitos das mulheres e que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.
O PL Mulher, um segmento do Partido Liberal, exemplifica a complexidade da luta feminina na política. Embora tenha como objetivo promover a participação feminina, suas pautas, que incluem o fim das cotas de 30%, levantam questões sobre o verdadeiro compromisso com a igualdade de gênero. A crítica à superficialidade de algumas iniciativas é essencial para garantir que as mulheres não sejam apenas incluídas, mas que suas necessidades e direitos sejam efetivamente defendidos.
Em suma, o longo caminho da mulher na política é repleto de desafios, mas também de resistência e luta. A misoginia e as falas desrespeitosas ainda são barreiras a serem superadas, mas a crescente organização das mulheres e a implementação de ações afirmativas são passos importantes em direção a um futuro mais igualitário. A luta pela igualdade de gênero na política é uma responsabilidade coletiva, e cada avanço deve ser celebrado como parte de um movimento maior em busca de justiça e equidade.
Autor: Svetlana Galina
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital