A inserção de novas tecnologias no processo de ensino da Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma estratégia essencial para garantir que jovens, adultos e idosos adquiram as competências necessárias para a vida moderna. Recentemente, o Brasil deu um passo significativo ao integrar a formação em tecnologias digitais aos currículos da EJA. Esta mudança é crucial, pois, ao longo dos anos, muitos estudantes dessa modalidade não tiveram acesso a conhecimentos fundamentais sobre a utilização de ferramentas digitais, essenciais para a participação plena na sociedade contemporânea.
A implementação dessa formação começou com a capacitação de alfabetizadores em todo o país. O curso, que é oferecido online, faz parte de um projeto nacional que busca equipar os professores com o conhecimento necessário para ensinar desde o uso básico de dispositivos até conceitos mais complexos relacionados a segurança online e cidadania digital. Com isso, a EJA não só passa a focar em habilidades tradicionais, como leitura e escrita, mas também em capacitar os alunos a utilizar as tecnologias para melhorar sua qualidade de vida, como no caso de aprender a usar aplicativos bancários ou identificar golpes na internet.
O programa de formação não se limita apenas a professores, mas também se estende a coordenadores e demais profissionais da educação que atuam na EJA. Essa abordagem em múltiplos níveis visa garantir que o conteúdo sobre tecnologias digitais chegue até as salas de aula, beneficiando milhares de estudantes em todo o Brasil. O curso tem como foco três áreas fundamentais: linguagem, matemática e tecnologias, buscando garantir que o aluno de EJA esteja preparado para navegar não só no mundo físico, mas também no virtual.
É importante entender que a alfabetização tecnológica não é uma habilidade complementar, mas sim uma necessidade básica para garantir a cidadania plena. Ao ensinar o uso de novas tecnologias, como redes sociais, aplicativos de mensagens e até plataformas de namoro, a formação oferece aos alunos as ferramentas para se protegerem de riscos como fraudes online, além de possibilitar uma maior inclusão social e digital. Essas tecnologias tornam-se, assim, um meio para uma maior integração com o mundo ao redor, ajudando a reduzir as barreiras que muitas vezes limitam a mobilidade e a participação social dos adultos que não tiveram acesso à educação formal.
Além da formação tecnológica, a inclusão de temas como a educação midiática também é essencial. Ao aprenderem a distinguir informações confiáveis de fake news, os alunos adquirem uma habilidade crucial para a tomada de decisões no cotidiano. A professora Daniele Dias, responsável por coordenar esse programa, ressalta que as novas tecnologias devem ser vistas não como uma solução única, mas como ferramentas que podem facilitar a vida dos indivíduos quando usadas de forma crítica e consciente.
Outro ponto importante dessa abordagem é a preocupação com a segurança dos dados pessoais dos estudantes. A alfabetização digital também abrange a compreensão dos riscos associados à internet, como o roubo de informações pessoais e a exposição a fraudes virtuais. Ensinar os alunos a navegar pela web de forma segura é, portanto, uma das prioridades desse novo modelo de EJA, garantindo que os estudantes estejam preparados para os desafios do mundo digital.
O programa de capacitação para a EJA, que já está em andamento e deve continuar até 2026, reflete a importância de transformar a educação de jovens e adultos em um processo contínuo de adaptação às novas realidades. Com o apoio do Ministério da Educação e de universidades como a Universidade Federal da Paraíba, essa formação permite que a EJA evolua, atendendo não apenas às necessidades de alfabetização convencional, mas também preparando os alunos para os desafios tecnológicos que dominam a vida moderna.
Em resumo, a inclusão das novas tecnologias na EJA é um passo vital para garantir que todos os cidadãos, independentemente de sua idade, tenham acesso às ferramentas necessárias para uma vida plena e participativa. A capacitação de alfabetizadores e a implementação de programas de formação tecnológica são essenciais para garantir que a educação de jovens e adultos não só supere o analfabetismo tradicional, mas também prepare os alunos para o futuro digital.
Autor: Svetlana Galina
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital