O Ministério da Justiça e Segurança Pública lançou, em 22 de setembro de 2026, o Painel Qualidade de Vida no Trabalho, ferramenta que reúne dados oficiais sobre as condições de trabalho e a saúde mental dos profissionais de segurança pública. A iniciativa foi apresentada em Brasília e representa a primeira publicação do governo federal dedicada a organizar informações sobre esse tema em âmbito nacional.
Os dados disponíveis foram coletados pelo próprio ministério por meio da Pesquisa Perfil das Instituições da Segurança Pública, com ano-base 2024. O levantamento envolveu 135 instituições e reúne informações sobre o efetivo das corporações, as condições de trabalho das mulheres, a oferta de serviços de saúde mental, as ações de prevenção ao suicídio e a integração das corregedorias com outras áreas das instituições.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, um novo levantamento, com referência ao ano de 2025, deverá ser realizado nos próximos meses. A atualização poderá ampliar a capacidade de acompanhamento das políticas voltadas à qualidade de vida e permitir a comparação dos indicadores ao longo do tempo.
Painel reúne informações sobre trabalho e prevenção
A proposta do painel é concentrar informações que antes estavam distribuídas entre diferentes instituições e áreas da segurança pública. Entre os temas apresentados estão a composição do efetivo, a realidade profissional das mulheres e a existência de estruturas de atendimento psicológico e psiquiátrico.
A ferramenta também contempla dados sobre medidas de prevenção ao suicídio e sobre a atuação das corregedorias em articulação com outros setores das corporações. A reunião dessas informações oferece uma visão mais ampla das condições enfrentadas por profissionais que trabalham diariamente em contextos de risco, pressão e exposição à violência.
O recorte inclui diferentes segmentos da segurança pública, como policiais, agentes penitenciários, bombeiros e guardas municipais. Embora os dados tenham sido produzidos a partir das instituições participantes da pesquisa, o painel foi apresentado como uma base nacional para orientar o diagnóstico e o planejamento de ações relacionadas à saúde mental e à valorização profissional.
Escuta Susp terá capacidade ampliada
Na mesma ocasião, o governo anunciou novas medidas para o Escuta Susp, rede de atendimento psicológico e psiquiátrico destinada aos profissionais da segurança pública. O programa já realizou mais de 50 mil atendimentos desde 2024 e registrou 1.410 altas, de acordo com as informações divulgadas pelo ministério.
Atualmente, a rede conta com 145 terapeutas distribuídos em cinco serviços. A previsão anunciada é aumentar em 50% a capacidade de atendimento, com a contratação de novos terapeutas e supervisores. A expansão busca ampliar o acesso à assistência especializada para trabalhadores que enfrentam situações de estresse e riscos associados ao exercício da função.
O atendimento oferecido pelo Escuta Susp integra a estratégia de apoio à saúde mental dentro da segurança pública. A existência de uma rede específica permite direcionar profissionais para serviços psicológicos e psiquiátricos, ao mesmo tempo em que os dados do painel podem ajudar a identificar necessidades e orientar a distribuição de políticas públicas.
Dados podem orientar políticas públicas
A divulgação dos indicadores ocorre em um contexto de ampliação do debate sobre as condições de trabalho nas forças de segurança. A exposição cotidiana a situações violentas, a pressão profissional, o acesso a armas e os riscos de adoecimento estão entre os fatores que tornam a saúde mental uma dimensão relevante da política de segurança pública.
Com informações sobre atendimento, prevenção e estrutura institucional, o painel pode apoiar a identificação de lacunas e o acompanhamento das medidas adotadas pelos órgãos. A atualização prevista para os dados de 2025 também poderá contribuir para avaliar mudanças na oferta de serviços e nas ações de prevenção ao suicídio.
A iniciativa amplia o foco da discussão sobre segurança pública para além das operações e dos indicadores de criminalidade. Ao reunir dados sobre quem atua nas instituições, o Ministério da Justiça coloca a qualidade de vida dos profissionais como parte do planejamento do setor e apresenta o Escuta Susp como uma das ferramentas de atendimento disponíveis.
As informações do painel e os dados sobre o programa foram divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

