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    Início » ID CTVM analisa avanço do supply chain finance como alternativa de capital de giro para o middle market brasileiro
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    ID CTVM analisa avanço do supply chain finance como alternativa de capital de giro para o middle market brasileiro

    Elise MontclairPor Elise Montclairagosto 21, 202605 Mins de leitura
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    Diversificação setorial dos fundos de investimento em direitos creditórios amplia o acesso de empresas de médio porte a soluções de antecipação de recebíveis fora do sistema bancário tradicional

    A indústria de crédito estruturado brasileira encerrou 2025 com um novo patamar de relevância dentro do mercado de capitais. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) somaram R$ 90,8 bilhões em ofertas ao longo do ano, avanço de 9,5% em relação a 2024, e passaram a representar 42% de todo o volume de ofertas de renda fixa registrado no país, segundo dados de mercado. Parte relevante desse crescimento veio de estruturas voltadas à antecipação de recebíveis comerciais e ao supply chain finance, modalidades que ganham espaço como alternativa de capital de giro para empresas de médio porte.

    O movimento acompanha uma mudança na forma como companhias de diferentes setores buscam financiar sua operação. Historicamente dependentes de linhas de crédito bancário para sustentar o ciclo de caixa, empresas de médio porte passaram a recorrer com maior frequência a estruturas de mercado de capitais capazes de transformar seus recebíveis, sejam duplicatas, contratos de fornecimento ou faturas de prestação de serviços, em fonte imediata de liquidez.

    Capital de giro fora do balanço bancário tradicional

    O supply chain finance, também conhecido como financiamento da cadeia de suprimentos, funciona por meio da antecipação de pagamentos a fornecedores com base no risco de crédito de uma grande empresa compradora, o que costuma resultar em custos de captação mais baixos para fornecedores de menor porte. Já a antecipação tradicional de recebíveis permite que uma empresa converta em caixa imediato valores que só seriam recebidos no futuro, seja de clientes, distribuidores ou parceiros comerciais.

    Ambas as modalidades dependem de uma estrutura fiduciária capaz de validar a existência e a qualidade dos recebíveis que lastreiam cada operação, evitando que ativos duplicados ou inconsistentes entrem na carteira de um fundo. Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, esse trabalho de verificação é o que sustenta a confiança de investidores nesse tipo de estrutura:

    “O supply chain finance e a antecipação de recebíveis só funcionam em escala quando existe um terceiro independente capaz de auditar continuamente a origem e a qualidade dos ativos que compõem a carteira. Não basta estruturar juridicamente a operação, é preciso ter processos de conciliação e auditoria de lastro que rodem diariamente, porque o volume de recebíveis movimentado por esses fundos costuma ser muito maior do que o de estruturas de crédito privado tradicionais”.

    A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de FIDCs voltados a esse segmento, o que inclui a checagem sistemática de duplicatas e contratos, o acompanhamento de eventuais concentrações de risco por sacado e a conciliação em tempo real dos fluxos de pagamento entre cedentes, sacados e cotistas do fundo.

    Diversificação setorial amplia o alcance do crédito estruturado

    A diversificação observada na indústria de FIDCs ao longo de 2025 também reflete a entrada de novos setores no universo do crédito estruturado. Além das estruturas tradicionais ligadas a recebíveis comerciais, ganharam espaço fundos voltados a financiamento industrial, veículos, consignado privado e operações de fintechs, o que ampliou a base de empresas de médio porte com acesso a esse tipo de capital. Fundos multiclasse e sem estrutura de classe definida, que permitem segregar diferentes níveis de risco dentro de uma mesma operação, registraram variações anuais entre 40% e 88%, um dos ritmos de crescimento mais acelerados dentro da indústria.

    Esse cenário de juros ainda elevados, mesmo com expectativa de queda gradual da taxa básica ao longo de 2026, reforça o apelo de soluções de capital de giro que não dependem diretamente do spread bancário tradicional. Para empresas de médio porte, a possibilidade de acessar recursos com custo atrelado à qualidade de seus próprios recebíveis, e não apenas ao seu histórico de crédito junto a bancos, representa uma alternativa relevante de diversificação das fontes de financiamento.

    Governança como condição para sustentar o crescimento

    O ritmo acelerado de expansão da indústria também elevou a atenção do mercado para a qualidade da originação dos ativos que compõem os fundos. Estruturas de supply chain finance e antecipação de recebíveis, por envolverem múltiplos participantes ao longo da cadeia de originação, exigem processos de due diligence mais sofisticados do que operações de crédito privado com um único devedor.

    Administradores fiduciários com infraestrutura tecnológica capaz de processar grandes volumes de dados cadastrais e financeiros em tempo real tendem a ocupar posição de destaque nesse ambiente, à medida que gestoras e investidores institucionais buscam parceiros capazes de sustentar o crescimento das carteiras sem abrir mão do rigor na validação dos lastros.

    Com o middle market brasileiro ampliando sua demanda por alternativas de capital de giro fora do sistema bancário tradicional, a combinação entre tecnologia de conciliação, auditoria contínua e governança independente deve seguir como fator decisivo para determinar quais instituições de infraestrutura de mercado conseguirão acompanhar o próximo ciclo de expansão do crédito estruturado no país.

    Sobre a ID CTVM

    A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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