O Tesouro Direto registrou, em agosto de 2026, o maior volume mensal de investimentos desde a criação do programa. Foram aplicados R$ 15 bilhões em 1,32 milhão de operações, segundo dados divulgados em 25 de setembro. O resultado mostra a força da procura pelos títulos públicos entre os investidores brasileiros, mas não representou aumento líquido dos recursos no período.
As informações foram divulgadas pela Agência Brasil, com base nos dados do Tesouro Direto. Em agosto, os resgates e vencimentos somaram R$ 17,22 bilhões. Com isso, a captação líquida — diferença entre as aplicações e as saídas — ficou negativa em R$ 2,21 bilhões.
Aplicações em títulos ligados à Selic lideram
Os títulos atrelados à taxa Selic concentraram a maior parcela das vendas realizadas em agosto. Esses papéis movimentaram R$ 7 bilhões, o equivalente a 46,9% do total investido no mês. Na sequência, apareceram os títulos indexados à inflação, com R$ 5,5 bilhões, e os prefixados, que somaram R$ 2,5 bilhões.
A divisão indica como os investidores distribuíram as novas aplicações entre as diferentes modalidades disponíveis no programa. Os títulos ligados à inflação e os prefixados completaram a maior parte do volume restante, enquanto os papéis atrelados à Selic mantiveram a liderança nas vendas de agosto.
Base de investidores ativos cresce
O recorde de investimentos foi acompanhado pelo avanço no número de participantes do Tesouro Direto. A quantidade de investidores ativos chegou a 3,83 milhões, alta de 21,7% em relação a agosto de 2025. Já o total de pessoas cadastradas no programa alcançou 36,44 milhões.
Outro dado destacado no levantamento é a participação das operações de menor valor. Aplicações de até R$ 1 mil representaram 55,7% do total de operações realizadas em agosto. O indicador aponta a presença expressiva de pequenos investidores no programa, embora o volume financeiro também inclua aplicações de valores superiores.
O Tesouro Transparente disponibiliza informações oficiais sobre o programa e mantém a base de dados do Tesouro Direto. O conjunto de informações permite acompanhar tanto a movimentação mensal quanto a evolução do estoque de títulos públicos em poder dos investidores.
Estoque chega a R$ 272 bilhões
O estoque do Tesouro Direto encerrou agosto em R$ 272 bilhões. O valor ficou praticamente estável na comparação com julho, mas foi 43% maior do que o registrado no mesmo mês de 2025. O estoque representa o volume acumulado de títulos mantidos pelos investidores no programa.
A estabilidade mensal ocorreu em um mês marcado simultaneamente pelo recorde de novas aplicações e pelo volume superior de resgates e vencimentos. Por isso, o resultado das vendas não deve ser confundido com o crescimento líquido do estoque ou com a captação líquida do período.
Prazos de vencimento mais procurados
Os dados de agosto também mostram concentração das vendas em títulos com prazos intermediários e mais longos. Papéis com vencimento entre um e cinco anos responderam por 45,2% das operações. Já os títulos com prazo entre cinco e dez anos representaram 43,2% das vendas.
Somadas, as duas faixas corresponderam a 88,4% das vendas realizadas no mês. A distribuição ajuda a dimensionar o perfil dos prazos escolhidos pelos investidores, sem indicar, por si só, que todos tenham mantido os títulos até o vencimento. O Tesouro Direto permite o acompanhamento das operações e dos títulos negociados por meio de seus canais oficiais.
O resultado de agosto combina, portanto, três movimentos distintos: o maior volume mensal de investimentos da história do programa, a ampliação da base de participantes e uma saída de recursos superior às novas aplicações. A leitura conjunta desses indicadores é necessária para compreender o desempenho do Tesouro Direto no período.

