Banco Central escalona mudanças que miram fraudes e reforçam proteção do usuário em duas etapas
O Banco Central colocou em vigor um novo conjunto de regras de segurança para o Pix, implementadas em duas fases que começaram em 7 de agosto e se estendem até 1º de setembro. A medida chega em um momento de crescimento recorde do sistema de pagamentos instantâneos, que já ultrapassa 170 milhões de usuários no país, e busca conter o avanço de fraudes que evoluíram junto com a popularização da ferramenta.
Entre as principais mudanças está o bloqueio cautelar de valores, mecanismo que permite às instituições financeiras reter, por até 72 horas, quantias recebidas via Pix quando há suspeita de fraude ou movimentação atípica. Durante esse intervalo, o banco analisa a transação para confirmar ou descartar a irregularidade antes de liberar o dinheiro ao destinatário.
Rastreamento em cadeia chega para dificultar golpes
Uma das mudanças mais relevantes para quem já foi vítima de golpe é a atualização do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED. Antes, o rastreamento de valores desviados costumava se limitar à primeira conta que recebia o dinheiro roubado, o que facilitava a diluição dos valores em contas laranjas.
Com a nova versão da ferramenta, o sistema passa a acompanhar a movimentação em diversos níveis de transferência, seguindo o dinheiro mesmo depois que ele passa por várias contas diferentes. Na prática, isso amplia as chances de recuperação de valores mesmo em golpes mais elaborados, que usam múltiplas contas para dificultar o rastreio.
Dispositivos não cadastrados terão limites mais baixos
Outra novidade da fase em curso envolve o uso do Pix em aparelhos ainda não reconhecidos pela instituição financeira do usuário. Nesses casos, passam a valer limites mais restritos de valor por operação e por dia, até que o dispositivo seja validado pelo banco, prática que reduz o espaço de manobra para golpistas que conseguem acesso a contas por meio de aparelhos de terceiros.
A recomendação de especialistas em segurança digital é simples: sempre que possível, o usuário deve evitar movimentar contas bancárias em celulares ou computadores emprestados, já que essa é justamente uma das brechas mais exploradas por criminosos que tentam burlar os novos limites.
Notificações e botão de contestação direto no aplicativo
O pacote de mudanças também inclui a obrigatoriedade de que os aplicativos bancários ofereçam um botão específico para contestação de transações suspeitas. Com essa funcionalidade, o cliente pode acionar o MED diretamente pelo próprio app, sem precisar recorrer a canais externos ou centrais de atendimento telefônico, o que tende a agilizar o processo em situações de urgência.
Bancos e instituições de pagamento também precisam demonstrar controles mais consistentes de proteção digital e gestão de risco, conforme resoluções recentes do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional. Quem não comprovar maturidade suficiente nesses controles pode enfrentar exigências adicionais de adequação e, em casos mais graves, restrições temporárias na operação do Pix.
Como o usuário pode se proteger na prática
Apesar do reforço regulatório, a defesa mais eficaz contra golpes ainda depende do comportamento de quem usa o sistema no dia a dia. Manter o aplicativo do banco atualizado, cadastrar apenas dispositivos de confiança e desconfiar de pedidos urgentes de transferência, mesmo quando parecem vir de familiares ou conhecidos, seguem sendo as recomendações mais repetidas por quem estuda fraudes digitais no país.
Com a chegada da inteligência artificial a golpes que simulam vozes e vídeos de pessoas próximas à vítima, a checagem por um canal alternativo antes de qualquer transferência considerada suspeita se tornou ainda mais importante, já que a aparência de legitimidade de uma mensagem ou ligação deixou de ser garantia de segurança.
Fontes:
- https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/pix
- https://www.mixvale.com.br/2026/08/20/banco-central-estabelece-novas-regras-de-seguranca-para-o-pix-em-agosto-e-setembro/
- https://docmanagement.com.br/08/05/2026/com-pix-superando-170-milhoes-de-usuarios-banco-central-endurece-regras-apos-alta-de-29-nos-ataques-ciberneticos/

